domingo, 7 de setembro de 2008

Fazedores de Anúncio - Em Ação!

Não tendo nenhum embasamento teórico para o que vem a seguir, algo me deixa profundamente perturbado. Estou trabalhando com publicidade, criação, e, apesar de pouquíssima experiência (menos de um ano) já percebo algo no mercado de Brusque (onde atuo no momento) que realmente me incomoda: a falta de parceria entre criação e atendimento. Digo isso porque converso muito com publicitários que estão no mercado há anos e anos e eles também compartilham da seguinte idéia: será que é correto a agência ser mera "fazedora de anúncios", deixando o cliente controlar todo e qualquer impulso criativo? Claro que em agências grandes, depezês e dábliubrazius da vida, a coisa pode mudar de figura, mas estamos começando agora, em um mercado pequeno e em crescimento, então fico me perguntando se não são os próprios publicitários que acostumam mal os clientes. A maior reclamação que escuto é que o atendimento não defende minha criação, que o atendimento deixa o cliente fazer o que bem entende com o layout, etc, etc, etc. Deixando os egos infladíssimos de lado (seriam estes egos clichês ou não?), o que percebo é o puro medo de perder a conta, e claro que isto é o que movimenta a agência, em hipótese alguma pretendo acabar com a clientela, mas acho que está na hora de levantarmos a cabeça pra dizer que sabemos o que estamos fazendo, que não somos meros "fazedores de anúncios", meros conhecedores de efeitos em corel e photoshop. Existe aquela história de que ninguém chega no consultório médico e diz: doutor, eu estou com nãoseioque-ite, ele está localizado na parte superior de nãoseioque e o tratamento é tal. Daí com as agências o cliente diz: seguinte, atendimento, quero três anúncios, quatro outdoors, me vê também duas artes pra display e três quilos de batata doce. Agência pequena na região é quitanda, mercearia, ou até mesmo puteiro, com o perdão da expressão: me vê duas loiras com silicone e um sem. Pode ser que sejam apenas devaneios de estudantes que, como qualquer outro estudante, querem revolucionar o mundo, a carreira, e tudo o que vier pelo caminho, mas a questão é: devemos ou não jogar quatro anos de estudos (seis, sete, oito, doze, como vejo por aí), colocar aquele fundo verde-limão com a letra branca e a famosa frase "Um novo conceito em..." apenas para preservar aquele cliente que, além de ter a visão de mercado do Steve Wonder, paga 500 pila na criação chorando, jurando que vai fazer curso de corel pra poder fazer os anúncios em casa? Ok, ok, não devemos nos apegar às nossas criações, eu sei. Entendo até. E quanto apegar-nos à nossa profissão? Ao futuro do mercado onde estaremos completamente inseridos em menos de três anos? Digo de boca cheia: quem apodrece e mal acostuma os clientes são os próprios publicitários. Sou só eu que me preocupo com o portfolio da agência, ou vocês também sentem uma facada no coração quando vêem o poderoso chefe da agência mandar assinar aquele material que parece a Sapucaí em meados de fevereiro? Depois vem aquela famosa frase: galera, eu procuro pessoas que vistam a camisa da empresa, pessoas que defendam com unhas e dentes a nossa agência. Hãn, esta camisa verde-limão sunga de velho na praia com arial black 12 branca? Hãn, não, valeu. Sei que posso estar sendo radical demais, unilateral demais. Mas que cada vez que o atendimento volta do cliente e diz: - ok, ok, a Maristela gostou da foto, mas achou a frase forte demais. Então mantém a foto e coloca a frase: Lojas Maristela, conforto e comodidade e suavidade e maciez para sua cama, mesa e banho. - Hãn... a foto é de uma estátua de pedra... - Não importa, ela disse que pode ficar assim... Ah, e muda a cor da letra também, coloca marrom-arroxeado, e o fundo coloca amarelo bebê... e ela pediu pra ver se tens alguma estampa de oncinha pra colocar no fundo também... - Não vai combinar... - Ela disse que não importa se combina, ela gosta de oncinha... Francamente, atendimento, pede pro chefe licença de um mês e bate nessa mulher até sangrar. DONO DE LOJA NÃO TEM QUE GOSTAR DE NADA. Publicidade não é arte, publicidade é estratégia de venda. Publicidade não é colocar o fundo de oncinha porque a filha da vizinha da cunhada do Genésio da padaria tá de aniversário e, como homenagem, vais colocar a estampa favorita dela no anúncio. Podemos ser meros novatos na área publicitária, mas espero que tenhamos consciência da seriedade da propaganda no mundo atual, da influência que ela causa, do impacto que uma campanha bem sucedida pode ter, ou não, nas vendas de uma empresa. Quer ter o seu gosto pessoal retratado artisticamente, dona Maristela? Contrate um decorador de interiores.
Dêem suas opiniões sobre o assunto e, para os que concordam comigo, entrem na comunidade do orkut a seguir:

http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=6692034

Hehehe, adiós muchchos.

by: Rafik Zen

Um comentário:

Jana disse...

Será que o povo do atendimento não tem um texto parecido para publicar? ;)
Mesmo assim, adorei. E também odeio oncinha. Ah, e o português correto me comove.